a vida resume-se a isso... acordar, caminhar, morrer...
o que fazemos enquanto caminhamos é o que nos define, o que nos molda, o que nos destrói ou fortalece.
a maioria das pessoas prefere acreditar que tudo o que faz está já determinado por algo ou alguém, sentem assim conforto nas horas mais negras em que o vazio aperta. precisam de acreditar que são realmente obra prima de uma qualquer figura apenas para seu deleite, para sua contemplação. vivem então guiadas por promessas de uma outra vida, de uma continuação depois do último suspiro, como se todas as mágoas por que passam nesta terra fossem o preço a pagar para entrar no paraíso. para outras, a razão, as provas e o que é realmente visível ao olho é o que lhes dá a calma que precisam para viver cada dia, prevalecendo as provas acima do que não se consegue provar e comprovar, mas que podem ser vistos como pessoas cépticas, sem esperança e que apenas respiram e deambulam por aí.
recentemente, em conversa com algumas pessoas, fiquei com a sensação de que me olham como uma alma perdida, como alguém que não tem destino porque escolho não acreditar em certas coisas, porque decidi afastar-me da religião, das religiões, já que não me dão a paz que preciso em algumas horas. afirmando até que precisamos de acreditar em algo para sermos felizes, acabei por pensar se realmente seria assim tão mau não acreditar em determinadas convenções, em determinadas figuras ou crenças.
e nem é bem não acreditar porque, sinceramente, tem fases. não que alguma vez tenha acreditado ou continue a acreditar num homem de barbas brancas escondido entre as nuvens. só que, por vezes, não sei bem em que acreditar. nessas horas sinto que a vida é demasiado perfeita para não ser algo programado, delimitado, estudado ao pormenor. parece-me que tudo isto que nos rodeia é demasiado belo para ser simplesmente uma obra do acaso. há alturas, porém, em que acho que tivemos foi muita sorte em podermos presenciar tudo o que vemos e vivenciamos. acho que não passamos realmente de um grão de pó no universo, esse sim vasto, imenso, intemporal.
de qualquer das formas, nenhum dos lados responde verdadeiramente às questões que sempre o homem colocou a si mesmo, de onde venho, quem sou, para onde vou e porquê. porquê.... essa necessidade de querer sempre saber o porquê das coisas foi o que levou a tão grande avanço científico e tecnológico, essa incessante busca por respostas foi o que nos trouxe até aos dias de hoje, seja isso bom ou mau. no entanto foi essa mesma busca que levou a que alguns não conseguissem encontrar conforto apenas no que conseguimos provar, ver, sentir, cheirar ou ouvir. porque não conseguir responder a essas questões foi e será sempre o maior dilema da humanidade e é o que leva a que tanto seja feito em nome do que quer que seja.
a minha questão é, até que ponto é que interessa saber. até que ponto é que realmente interessa se estamos aqui porque um ser superior decidiu criar tudo o que conhecemos ou se isto não é só o resultado de um sem número de átomos se agregarem até conseguirem criar formas complexas de vida. o que interessa se temos uma ou muitas vidas, se reencarnamos ou se nos desfazemos em pó até que o universo se torne num deserto gelado ou numa gigantesca bola de fogo, se teremos novas oportunidades ou se esta é a nossa única hipótese de experienciar a própria vida.
para mim, não importa tanto para onde vamos, de onde viemos, ou o que estamos aqui a fazer. estamos aqui. ponto. o que interessa agora é saber o que fazer do tempo que nos é dado, é apreciar cada minuto, cada segundo que temos... é apreciar a companhia e o amor dos nossos amigos ou da nossa família, é deixarmo-nos levar pela suave perfeição da natureza, é viver cada dia como se fosse o derradeiro, como se realmente nada mais tivéssemos para além de... só assim partiremos daqui com a sensação de que vivemos com toda a nossa paixão e entrega. só assim saberemos que fizemos tudo quanto queríamos fazer, que dissemos tudo quanto queríamos dizer, que amámos tudo quanto queríamos amar...
no regrets...
6 motivos para continuar a escrever por aqui:
transportaste e transformaste a minha mente em palavras *
Dignidade. Acima de tudo, com dignidade.
Final infeliz. Não tens retretes?
Cat* big kiss
Cirrus* retretes? só no wc... :p
ainda assim, não percebi o que quiseste dizer (para não variar)
A vida é tão simples... Tão bela!... Mesmo dos acontecimentos menos bons (não gosto de lhe chamar maus) tiramos boas lições e tornamo-nos pessoas melhores!... Basta querer e acreditarmos sobretudo em nós próprios!... Nas nossas escolhas e nas nossas capacidades =)
E fico-me por aqui... Pois estou a passar por uma fase da minha vida onde tudo faz sentido... Onde os "maus" sentimentos, certas "raivas" interiores (talvez em vez de chamar raivas possa-lhe chamar "revoluções interiores") começam a fazer todo o sentido nesta caminhada e... Quero e acredito que me vai tornar numa pessoa melhor e mais compreensiva com as situações!... Com a humanidade =)
Beijinhos com saudades e... Um ronrom da Miss Kitty para a Miss Kitty Estrela ;P
Ufa. Gostei.
Enviar um comentário